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Se o nosso amor não existisse, teria de ser inventado. Gosta de apregoar que é como o algodão: não engana nem esgana. Temos um amor pateta, desengonçado, que se suja todo a comer mas que se veste a rigor quando a ocasião está a pedi-las. Não usa lencinho de mão e assoa o nariz à…

Amor livre

                      Falar de liberdade é falar de amor. Este amor a quatro que nos enche de cravos vermelhos por cada vez que damos a mãos e dizemos uns aos outros: está tudo bem. Sabermos cantar em conjunto hinos de alegria por cada vitória individual faz de…

À mesa

A Insuficiência Renal Crónica (IRC) é danada para comer. Gosta de baixos percentis, réguas curtinhas, balanças que ainda não aprenderam todos os números e de bocas fechadas à hora da refeição. Os livros dos senhores de bata branca dão o sinal de aviso: crianças com IRC têm alteração do paladar e pouco apetite (nunca a…

A Mãe Maior

Andávamos a “ameaçar” há algum tempo e coincidiu com o Dia da Terra. Foi hoje que decidimos ir os quatro pelo monte do Picoto acima com um objectivo: plantar uma árvore. Mero pretexto, mas um bom pretexto, que o caminho vale sempre mais que a chegada. Furtamo-nos ao previsível e ao mesmismo: uma família a…

MiMana

A mimana é a Clara do Tiago. E ele o minimano dela. “Ohhh, mi mana”, e faz aquele beicinho repenicado para lhe dar um beijo em qualquer parte do corpo onde consiga chegar em bicos de pés. Hoje consegue dar no braço mas não tarda em chegar-lhe às bochechas sem ela ter de se baixar.…

Salas de espera (III)

Estender o braço de tamanho S num lugar do tamanho dum gigante, com picas do tamanho do mundo, dói. Fazê-lo acreditar que os super-homens também são abelhas nos tempos livres e que o mel do Nestum que lhe pusemos no braço antes de sair de casa (para não fazer “buá!buá! ao cubo” na hora do…