Se o nosso amor não existisse, teria de ser inventado.

Gosta de apregoar que é como o algodão: não engana nem esgana.

Temos um amor pateta, desengonçado, que se suja todo a comer mas que se veste a rigor quando a ocasião está a pedi-las. Não usa lencinho de mão e assoa o nariz à manga da camisola, não desaperta os cordões quando tira os sapatos e prefere andar descalço do que de salto alto. Gosta de abrir o guarda-chuva em dias de sol e adora usar sandálias para ser salta-pocinhas. É louco por pessoas sérias e tem poucos amigos na loucura. Gosta de cartas de amor e ri-se sarcasticamente a ler romances. É distraído quando lhe pedem atenção mas adora dar sermões à distracção. Limpa a boca às mãos e come sushi de garfo e faca. Espreguiça-se ao deitar e faz conchinha ao acordar. Lava os dentes antes da sobremesa e detesta hálito fresco. Fala baixinho durante um concerto de heavy metal e grita  ao som das baladas mais badaladas. Gosta de se abanar freneticamente enquanto os outros dançam o slow. Gosta de tudo e não se satisfaz com nada.

Em Abril, amores mil.

Mil patetices desengonçadas. Mil vezes que nos descalçamos para ir a festas de cerimónia. Mil guarda-chuvas que abrimos em dias de sol para chamar a chuva. Mil e muitas loucuras que cometemos sentados no sofá como se estivéssemos a descer o rio da Amazónia a nado e em pelota. Mil conchinhas de bom-dia à tarde e mil foram as vezes que esticamos as pernas e os braços como se a preguiça fosse de plasticina. Mil capítulos para a nossa história infantil porque não sabemos amar com a seriedade de adulto. Em chuvas mil, não perdemos o entusiasmo do sol.

A 26 de Abril de 2011, começou a contagem para o 7 que é hoje.

3 thoughts on “7”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *