Amar estes dois é como palitar os dentes recostado para trás numa cadeira depois duma grande jantarada. É como esfregar a barriga cheia enquanto nos enchem mais o prato. É como comer com as mãos durante um churrasco no restaurante mais fino da cidade. É como abrir mais os olhos para focar quando estamos sem óculos e nem sequer conseguimos ver um gigante a coçar a cabeça (o amor é ceguinho!). É como cheirar uma flor que cresce na berma da estrada na cidade. É como cultivar uma floresta inteira na varanda do quinto andar. É como roer as unhas besuntadas de pimenta a saber a chocolate. É entrar pelo mundo fora sem pedir por favor. É ser muito feliz mesmo quando tropeçamos num vaso carregadinho de catos.

E amar estes dois mais a doença de um é ter urgência em limpar a casa para receber visitas e o aspirador acabar de dar o berro. É estar de férias grandes e ter de estudar a tabuada todos os dias. É estar esticado no sofá e quando decides mudar de canal descobres que alguém te tirou as pilhas do comando. É como estar sentado dentro da máquina de fotografias da estação de comboios a tentar ficar sério e quando o flash dispara, percebes que tens um macaco no nariz. É estar sentado na casa-de-banho e descobrir por força da vidinha que tens os miúdos a brincar com o papel higiénico na divisão mais distante da tua.

Mas uma coisa é certa: não há danadinha de doença nenhuma que nos coma as pipocas antes do filme começar.

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