O coração da mamã deu de frosques. Pirou-se. Meteu a quinta e fez-se à vida.

Nem fechado numa caixa, que estava dentro doutra caixa, que estava fechada com um cadeado, que estava fechado por uma chave, que estava guardada dentro de outra caixa, que estava debaixo dum caixote cheio de cadeados, que estava a apoiar uma cómoda que tinha em cima outra caixa, que guardava mini caixas e que dentro tinham o código secreto… nem assim.

“Filho, onde está o meu coração?” e apareceu ele, um pequenino a arrastar um saco de mini caixas, que tirou doutra caixa, que estava em cima duma cómoda junto a um caixote de cadeados, que encontrou por cima doutra caixa que guardava uma chave que abria um cadeado que estava fechado numa caixa dentro de outra, e que ufa! abriu.

“Estava a guardá-lo para um caso de emergência!”, disse cansado de tanto abrir e fechar caixotes.

“Mas filho, nós já estamos em estado de sítio!”, lamechei para ver se pegava.

O pequenino não foi em conversas. Deu volta e meia+meia, bumba com o coração na parte de trás do triciclo, desata com os pés a arder e pedalou até me perder de vista. Conhecia um lugar onde guardar corações de mamãs cheios de medos mas com as certezas todas. Conhecia o papá. E sabia-lhe o jeito para esconder códigos, fórmulas e pistas secretas porque quando jogavam ao “quem quer ser multi-emocionário!”, ele ganhava sempre. Ali era o lugar. Ali era onde sabia existir as ambulâncias e as caixas multi-socorros preparadas para ir buscar a mamã num piscar de choro. Ainda pra mais era ali onde o pequenino ouvia as mais bonitas estórias de amor. E o amor cura tudo.

Dedicado ao papá mais cheio de amor que conheço. Na mini caixa do coração dele, guardo o meu maior segredo.

Com amor, mamã.

2 thoughts on “Filho, onde está o meu coração?”

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