“Uma crónica é uma história que expõe os factos duma maneira simples e segundo a ordem em que elas se vão dando.” Ora, um caso crónico numa crónica familiar é o cúmulo da nossa história. Podia ser um caso bicudo, cabeludo, atravancado e enredado, mas descomplicá-lo foi o melhor remédio.

Deitar a complicação pra trás das costas está na ordem pouco ordenada do nosso dia e termos conhecido os direitos sociais da doença crónica valeu-nos um grande post-it fluorescente no mês de Setembro de 2017 a marcar o melhor acontecimento do último trimestre.

Ter uma ordem lógica na nossa história é coisa para meninos. A nossa família gosta de vivências banais porque não somos especiais e sermos corriqueiros é um petisco que nos afaga o apetite em qualquer hora da vida. Banófilos, por isso. E amor crónico é coisinha que nos assenta que nem uma peúga em dias de frio de arregalar os mais pequeninos pêlos do corpo. Por isso, simplicidade fica-nos bem à modéstia.

Quando o nosso filho quis dar gás à gastrostomia (relembre aqui), pusemos o ponteiro do descomplicómetro no máximo e procurámos saber o que havia no menu da protecção social e parental. O subsídio para assistência a filho com deficiência ou doença crónica veio resolver parte do problema: deu-nos tempo. Deu-nos tempo para viver o amor crónico devagar. É, numa forma mais simples, uma “licença” para estar com o nosso filho, paga pela segurança social, que pode ir de seis meses a quatro anos (pode ser seguido ou intercalado). O processo foi simples e rápido, sem qualquer complicação por parte da entidade patronal. Vamos no oitavo mês…e até quando for necessário, até quando a nossa crónica familiar pedir para mudar a ordem das coisas.

Viver com pé a fundo não dá tempo para viver a paisagem e os pormenores e o apetite do pequeno merecia atenção com óculos de fundo de garrafão! Por isso, a mamã deixou o emprego e veio para casa fazer trancinhas ao caso crónico que queria ser cabeludo. O ritmo é ligeiro, disfarçado de piloto de fórmula 1 mas banalizar, desvalorizar e superar todas as vezes que a doença desfaz as trancinhas e se despenteia todinha, é a nossa medalha. Mas o troféu é termos visto o Tigas a aumentar de peso, a crescer e a ganhar genica, mesmo que à mesa (aqui) se jogue à infinita batalha-renal.

Para o amor saudável, todo o amor do mundo. E arredores.

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