E se um dia decidíssemos regressar?

E se, nessa viagem, soltássemos as amarras invisíveis, e por isso mais fortes, que nos aprisionam do lado de fora? Do lado de fora da mente, do outro lado da gente…

Cada estória que se lê é uma vida não vivida já vivida por viver, é “partir… para regressar“, como bem no-lo diz o José Mário Branco.

 

Neste pequeno e maravilhoso livro, a geografia exterior, representada pela saída da urbe para o espaço rural – tão comum no passado -, é acompanhada por uma outra viagem. No tempo, no espaço, no espírito. Até às nossas lembranças mais queridas.

É curioso – e talvez sintomático – equiparar os nossos outros tempos com um sentido mais próximo daquilo que ainda faz de nós seres humanos, a memória emocional. Mas isso seria outro conto…

Até ao presente, nenhum livro me fez chorar, mas este “Regresso”, de Natalia Chernysheva, andou ali a brincar no bordo do copo das lágrimas. Mais que uma viagem, a comum, é a ilustração que nos narra aqueloutra, a viagem que verdadeiramente conta.

Para os pequenos que já somos pais de pequenos e neles vemos as saudades no futuro.

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