A nossa família é como um novelo de lã. Tricotamos, tricotamos e quando damos por ela, o novelo transforma-se numa novela de fios sem rei nem roque. Pensamos estar a fazer uma belíssima peça de amor e quando damos conta chega a amiga do Roque para dar o ar de sua graça. Ser na nossa família é, em grande parte do tempo, um Somos. Connosco, muitos polvinhos de amor, com muitos pés a fazer cócegas à partilha e à divisão. Mas também gostamos de andar só (e a sós!) de pé coxinho porque também é preciso conhecer-nos com menos equilíbrio. E não, isto não é estranho se aceitarmos que é conhecendo os contrários das coisas e das emoções que nos descobrimos por completo. Tudo tem dois lados e nós, quase sempre a quatro, também somos três+um, outras vezes dois+dois e menos mas tão importantes vezes um+um+um+um.

Vivermos SEMPRE entrelaçados faz despentear o novelo. Cada um tem o seu toque e sermos livres para fazer o nosso próprio penteado, seja para uma festa ou apenas para dormir a sesta, é regra para andarmos aprumados. Não vivemos uns sem os outros mas também gostamos de estar uns sem os outros. Somos uma família onde não há fechaduras nem códigos secretos. Partilhamos as sobremesas preferidas mesmo que nos apetece comer a taça inteira, o comando da televisão mesmo que o programa que está a dar seja o nosso favorito, dividimos a cama gigante mas com os quatro enroladinhos sem espaço para mexer uma pestana, reduzimos o tempo de descanso e ganhamos mais tempo para dizermos que precisamos de descanso mas acima de tudo somos um lugar feliz, na saúde e na doença, até que a vontade de sermos um+um+um+um nos separe.

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