Hoje escrevo para ela porque o coração precisa de coisas bonitas. Hoje a minha mãe disse um adeus choroso ao amigo que a esperou à porta durante 15 anos. Não era só um cão. Era um mundo de fofice.

Hoje quero dizer-lhe isto como se estivesse a dizê-lo a um filho: o teu pufy já não está aqui, já não o podes abraçar mas ele pode aconchegar-te a memória todos os dias. Já não está aqui para o beijares mas ele consegue lamber-te o sorriso em todos os momentos pouco felizes. Ele já não está aqui para se deitarem enroscados no sofá mas ele aquecer-te-á o coração sempre que as emoções frias da saudade te arrepiarem o coração. Já não o vês mas há outros sentidos que se despertam quando o físico desaparece e saberás sem dares por isso que o coração sabe mais que a visão. E enquanto as tuas nuvens se abrem carregadas de chuva e de vazio, há uma luz de tranquilidade que se avizinha por te saberes rainha de um amor intemporal, especial e de igual para igual. Ficarás vazia por uns tempos e isso não faz mal. Assim que consigas, fecha o guarda-chuva e deita-te ao sol.

Sempre acreditaste que não chove todos os dias no coração de ninguém.

Eu acredito no que tu acreditas.

 

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