Antes da festa das viroses cá ter chegado a casa, o Tigas começou uma nova fórmula mágica para dar pouco que fazer aos rins.

O captopril® é um medicação com sabor a rebuçado (sim, provamos tudo!) e não é coisa que o pequeno tenha em conta… porque é doce. Mas se lhe dermos a beber o bicarbonato (sabor salgado) e o ferro (sabor de caramelo pouco intenso), a boca já abre com outro jeitinho. Esta fórmula com super poderes é fornecida pela farmácia de ambulatório do Hospital de Santo António, no Porto (bem como quase toda a medicação, excepto o bicarbonato e suplementos alimentares dietéticos – absorvit geleia real, fortini, fantomalt e fresubin renal) e vem em fórmula líquida.

Esta medicação foi-lhe dada com o objectivo primeiro de funcionar como renoprotector (reduz a tensão dentro dos glomérulos – imaginem uns coadores às bolinhas – que são as unidades funcionais dos rins compostas de ramificações onde se filtra o sangue e os resíduos do metabolismo), assim em modo de segurança que faz uma ronda pelos rins 24h e não os deixa trabalhar em alta tensão. A tensão arterial do Tigas sempre andou estável e por isso esta medicação vinha só com esse objectivo: proteger os rins, reduzir o esforço intra glomerular e desacelerar a progressão da insuficiência renal (o Tigas está no estadio 4).

Mas entretanto, a tensão quis fazer das suas e parece que se cansou de ser anã. Quer crescer e ser crescida…

Quando há hipertensão, os rins são alvos fáceis: começa por haver mazelas na parede dos feijões, altera-se o espessamento, modifica pequenas estradas secundárias renais, reduz o trânsito do sangue renal e mexe na estrutura dos glomérulos e dos caminhos principais. Percebe-se que os rins não têm a hippie-tensão nos seus amigos favoritos e por isso precisa de rebuçados que adoecem a mania da hipster de fazer visitas prolongadas.

Tivemos consulta de nefrologia há três dias e o captopril® passou para 8h/8h e um novo brinquedo chegou cá a casa: um aparelho de medir tensão arterial. Não vos digo nem vos conto (pronto, já estou a contar…) as lágrimas que caiem sempre que a manga aperta o mini braço. Há sempre uma música zen na hora de chamar a hippie-tensão porque se o pequenito chorar, a senhora aparece aos trambolhões e não há números que nos valha. Também temos uns ajustes na alimentação para aumentar a genica do pequenito e o fresubin renal também quer passar uma temporada cá em casa.

Mas na hora de dizermos uns aos outros que nos amamos acima de qualquer tensão, medicação ou febrão, o coração sossega e dá umas valentes gargalhadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *