Os papás têm medo de ter medo e às vezes o medo tem medo deles. Ele chega de pantufas nos dias de chuva e de galochas nos dias de sol. É um grande trapalhão com a mania de que é grandalhão.

Os papás têm-lhe medo e isso não faz mal. Eles conhecem o lugar onde as emoções podem mudar de cor sempre que quiserem. É no coração que mora a maior caixa de lápis de cor do mundo. Mas também é ali que vive o que eles nem sempre querem. Às vezes têm de pintar com o coração e não com as cores que têm à mão.

Os papás têm sorrisos guardados para uma emergência. É que há dias de tempestade em que o medo não quer voltar para casa porque tem medo de relâmpagos e das sombras das árvores ao vento e pede-lhes para ficar mais um bocadinho. Eles dizem-lhe que sim e servem à mesa um doce sorriso e um quentinho “está tudo bem”. Afinal, o medo também tem medo. E eles já não lhe têm medo. Aconchegaram-se e relembraram histórias de dias felizes.

A tempestade passou.

P.S: esta história foi escrita num dia feliz.

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