Estivemos ausentes durante um tempo, distraídos, perdidos nas fotografias de outros lugares sem dar atenção a este, que é a nossa casa. É no blog que queremos mostrar a essência, a beleza e às vezes a dormência emocional na doença.
Voltamos! Venham as palavras.

Há sempre uma preocupação em ver à lupa a cor que se vê a olho em pelota. Se hoje o Tigas parece cor de maça fuji, uns dias depois pode querer mascarar-se de copinho de leite mal aquecido. Já falamos (aqui) da relação do peito que a madame insuficiência renal crónica tem com a senhora anemia e se não lhe adoçarmos o paladar com um caramelo ferroso, lá vai o copo (de leite) entornado. GluGlup de 16 gotas de ferro ao almoço e ao jantar para ver se a anemia se distrai. Isto de ter um filho que muda de cor ao ritmo da doença faz-nos querer viver sempre de tintas e pincel nas mãos porque o emocionário engorda se também lhe dermos outras cores.

Aos 13 meses, o Tigas copo de leite foi brindado com umas picadas de abelha que sabiam a mel e toda a gente sabe que leite com mel cura tudo! A matemática estava demasiado pálida e foi preciso actuar com unhas e agulhas: Epoetina beta.

Não! Não é uma prima afastada de uma senhora de seu nome Elisabete…Não!

É mais uma amiga – produzida por engenharia genética – chegada de doenças tramadas para chumbar na matemática vermelha, como na insuficiência renal crónica, na prevenção de anemia em bebés prematuros e por exemplo, nos adultos anémicos em quimioterapia. A Sra hormona Epoetina beta fornece material para produzir mais pompons vermelhos (glóbulos vermelhos) e actua como a sua siamesa natural eritropoietina, a menina-carteira que envia cartas à medula óssea (nome complicado para a fábrica de células-mãe) para aumentar os glóbulos vermelhos, que não está balanceada na presença destas doenças.

Foi então que a mamã, enfermeira, arregaçou as mangas da camisola de manga curta, meteu as mãos na anca e disse yes!i doU e bumba com as seringas na barriga magricela do pequenino que chorava lágrimas gordas em cada toma. A mamã estava de frente com a anemia mas de costas para não bater de coração com o choro…mas o yes!i doU de uma mãe é o grito de guerra mais capaz de erguer uma bandeira branca de paz!
Mas há coisas que acontecem que só o outro lado das nuvens conhece e na segunda administração, o Tigas respondeu com febre e vómitos. Na terceira, o mesmo. Por aconselhamento da médica nefrologista,

fez uma pausa nas doces picadas,

acertou o ferro,

mexeu nos gr e ml da alimentação,

tratou de programar o internarmento do pequenito para realizar uma administração observada (de modo a confirmar a reacção pós epoetina beta) para pedir a substituição da medicação…

mas

as análises vieram mostrar que às vezes é fácil tirar nota 20 a matemática: a hemoglobina estava a subir sem auxílio das injecções. Não foi magia, foi só fisiologia.

Voltamos atrás para dizer que o copinho de leite tem-se mantido fresco. 10,6 é um número colorido e para o manter é preciso músculo cardíaco no ponto. E hoje, particularmente hoje, relembramos este assunto que nunca se faz esquecer porque o fofinho está com febre (virose?) e canta aqui na memória a frase da nefrologista:

-quando ele estiver doente, não lhe dêm o ferro porque os bicharocos gostam de crescer com ele!

É verdade, os bichos são rijos e espertos. Ora, como somos contra qualquer tipo de actividades que envolvam animais e partículas proteicas, demos greve à medicação. Apuramos a fonte de ferro na alimentação e esperamos para limpar o que se sujou do copo entornado.

És o nosso amor, maça tiago fuji.

 

One thought on “Anemia a granel”

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