Quando abrimos o álbum de fotografias e nos vemos no passado, as fotografias olham espantadas de futuro para nós. Saber quanto tempo o tempo [ainda] tem faz-nos bem porque em dias de ponteiros tortos, há sempre a esperança esticadinha do que está para vir!

Em modo de juramento, cruzamos os dedos em frente aos lábios duas vezes//vezes e repenicamos a ideia de que “parece ter sido ontem que nos disseram que o Tigas tinha jeito para a insuficiência renal crónica”. Ontem, um passado atleta que correu a grande maratona para chegar ao hoje que leva o futuro ao carrachucho. O tempo, o tempo…

Hoje é notório: o Tigas tem mesmo jeito para ser doente crónico. E não vê outro futuro para ele: quer sê-lo a tempo inteiro e não se importa de abdicar de épocas festivas, feriados e fins de semana que a mãe tanto reivindica na profissão de enfermeira. É estudioso, não falta a nenhum momento lectivo com os senhores de bata branca e toma a medicação com nota 20.

Devagar, Tigas, tens uma vida para seres o infinito! 

[no álbum de fotografias há uma que nos espevita o presente: a do dia em que nasceu sem sabermos que já trazia o jeito todo]

O amanhã é sempre uma surpresa, ainda que nos diga muito dele quando empoleirado nas costas do presente. Lá no alto, sem ser altivo, pede-lhe sempre “anda, anda! mais!mais!”… quando, o que o presente quer, é esticar a preguiça num lugar onde o sol faça sombra devagar.

Se nos perguntarem quanto tempo o Tigas tem, diremos que o tempo não merece tempo quando se ama assim alguém.

2 thoughts on “O presente leva o futuro ao carrachucho.”

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