Chamo-me Tiago.


Carinhosamente, o Tigas cá de casa. Sou o mais novo, sendo que a mais velha é pouco mais crescida do que eu. Clara, a mana, claro. Até há pouco tempo, os papás contavam-me histórias de super-heróis de vestimentas variegadas, mas suspeito que anda por aí um vilão de borracha em riste porque, desde o meu primeiro dezembro que só vejo super-senhores de bata branca.

“Tigas, Tigas…algo se passa” – pensei cá com os meus feijões.

Nesse mês cintilante do Natal, embrulharam-me em fios de medicação, em papel descartável das salas dos exames e terminaram o presente com a etiqueta de “Insuficiência renal crónica. Para os papás, com amor”.

IRC?! Já a pagar imposto?

Comecei a beber umas coisas estranhas e como ainda ninguém me deu um lápis de cera para a mão para assinar seja o que for, desconfio que IRC seja outra coisa. Mas o quê? Alguém me explica?

 

Sou a Clara, a pouco mais crescida que o mano.


Os meus feijões trabalham que nem ginjas. Sou inteligente para perceber que o Tigas não é apaixonado por hospitais. Eu não me canso em dizer-lhe que os hospitais são amigos mas já me está a parecer que não é a brincadeira faz-de-conta que ele mais gosta. Gosto de dizer que vou cuidar dele para todo o infinito , ainda que me destrua todos os castelos de legos que faço com grande dedicação.

“Ai mano, mano…a tua sorte é que te amo!”

 

Raquel e Eduardo, os papás.


Conhecemo-nos em 2011, casamos em 2012, a Clara nasceu em 2014 e o Tiago em 2016.

Uma história simples. Um amor ainda mais simples.

Desde o diagnóstico de Insuficiência Renal Crónica do nosso mais novo que nós, papás, usamos a capa de super-tudo e dominamos o carrossel das emoções. Somos uma equipa de quatro e sentimos genuinamente que o amor supera as dificuldades e as reviravoltas.

Acreditamos, por isso, na magia do perlim rim pim.

A informação partilhada não substitui aconselhamento e observação de profissionais de saúde.