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Se o nosso amor não existisse, teria de ser inventado. Gosta de apregoar que é como o algodão: não engana nem esgana. Temos um amor pateta, desengonçado, que se suja todo a comer mas que se veste a rigor quando a ocasião está a pedi-las. Não usa lencinho de mão e assoa o nariz à…

Amor livre

                      Falar de liberdade é falar de amor. Este amor a quatro que nos enche de cravos vermelhos por cada vez que damos a mãos e dizemos uns aos outros: está tudo bem. Sabermos cantar em conjunto hinos de alegria por cada vitória individual faz de…

Pai

Às vezes o que passa por serenidade vai-se a ver não passa de inconsciência. Nas restantes, não. No pior dos casos, pode ser só alienação. Falo de sentimentos, a viagem interior que nem sempre exprimimos, nem sempre exteriorizamos. Talvez por nem sempre sabermos verbalizar. Depois de passar, reparo que passo às vezes por certas situações…

Mãe

Se antes do diagnóstico do Tigas deixava as minhas emoções andarem de táxi, agora sou eu que conduzo o autocarro e ponho ordem nas meninas. Raras são as vezes que andam bem aprumadinhas e a cheirar a perfume fresco das flores do campo. Mas a vida não cheira sempre bem. “tá quieta, tristeza!” “senta-te direitinha,…

Cheio e Vazio

A bexiga está vazia, a fralda… cheia. O cesto está cheio, a gaveta… vazia. Pouquinhas palavras – com dois antónimos dentro – para resumir uma parte importante, constante, do nosso dia-a-dia. – Água – diz o Tigas. (muitas vezes, ainda não contámos…) O copo cheio logo fica vazio. Se for o caso – e com…

Chegámos

Nós os quatro e dois feijões mágicos. Ah! A moradora residente senhorita Insuficiência Renal Crónica também veio! Desde o diagnóstico do Tiago que tentamos viver mais devagar. E devagar significa deitar os trambolhões para trás das costas (que imagem cómica esta do trambolhão!) e cantar bem alto “rins prá frente que atrás vem gente!”. E…